segunda-feira, 22 de setembro de 2014

12 de julho: Monument Mountain e última noite de Tanglewood

Depois de mais um café da manhã com as espetaculares panquecas do Hampton Terrace, que encharquei do maple syrup local, conversamos com Stan, declinando educadamente do convite feito para assistir ao jogo com seus filhos. É que Juan, amigo de faculdade do Eduardo, e sua família, só teriam algumas horas pra passar conosco, pois precisariam chegar a outra cidade ainda no horário do jantar.

Nosso encontro foi marcado em um café, numa das cidades próximas, onde eles haviam pernoitado. Chegamos em 10 minutos, onde já estavam esperando Juan, Naomi e o filhinho dos dois, o fofo Jonah.

Eduardo não via Juan há cerca de 7 anos, quando foi padrinho de casamento do amigo e Naomi. Durante esse tempo, muita coisa havia mudado, mas apenas as novidades mais óbvias foram colocadas em dia naquele reencontro no café, como a vida depois da chegada de Jonah a segunda gravidez de Naomi, que contava com uma linda barrigona de 6 meses, com uma menininha a caminho. Do lado do Eduardo, a principal novidade era eu! Rs.

Juan sugeriu que fizéssemos um passeio para aproveitar o belo dia ensolarado numa montanha próxima, chamada Monument Mountain. A ideia era pegar uma trilha leve, suficientemente fácil para não exigir muito de Naomi e para que Jonah pudesse acompanhar o ritmo; o que depois vimos ser uma preocupação completamente equivocada. O difícil foi nós conseguirmos acompanhar o ritmo daquele pequeno Tarzan.






Todos nós sentíamos muito calor, mas eu era a que estava com a roupa menos apropriada pra aquela empreitada. Derreti dentro de calça jeans, camisa de botões e sapatilhas recentemente compradas que terminaram a aventura um verdadeiro trapo. Ainda assim, nada disso era empecilho pra aproveitar as belas paisagens e curtir o contato mais próximo com a linda vegetação da serra de Berkshires.





Depois de caminharmos por cerca de uma hora – sempre com o pequeno e bravo Jonah à frente, falando “Venham logo! Venham logo!” – , chegamos a um belíssimo mirante, que acredito ser o que uma das placas no caminho sinalizava como “Devil´s Pulpit”.







Havia uma dezena de pessoas por lá, incluindo dois irmãos sessentões muito simpáticos, que ficaram impressionados com a disposição de Naomi, fazendo uma subida daquelas com seu barrigão e com a esperteza de Jonah, que catava uma infinidade de blueberries que encontrava pelos arbustos. Tiraram várias fotos do casal, junto ao pequeno Jonah, ressaltando bem o barrigão e os lindos olhos azuis da grávida.




Quando chegamos ao carro, passava das 2 da tarde e estávamos absolutamente famintos. Todos concordamos que comida japonesa seria uma boa pedida e fomos juntos no carro de Juan em direção à simpática cidade de Great Barrington, onde ele conhecia um bom restaurante.

Depois de um verdadeiro banquete, do qual eu infelizmente não tirei nenhuma foto, descobrimos que, mais uma vez, a escolha de não perder tempo assistindo ao jogo do Brasil na Copa foi uma boa pedida, pois nossa seleção havia perdido a disputa do 3º lugar por 3 X 0 para a Holanda.

Nossos amigos ainda tinham estrada pra frente naquele dia. Assim, com muita pena pelo curto tempo, mas felizes pela possibilidade do reencontro (e encontro, no meu caso), voltamos ao estacionamento de Monument Mountain, onde estava nosso carro. Despedimo-nos já com saudades e, enquanto eles seguiram para ir ao encontro de parentes, eu e Eduardo fomos em direção ao Norman Rockwell´s Museum, em Stockbridge.




A tarde estava linda e nos empolgamos com o visual dos jardins amplos, que faziam parte do Museu. Mas, quando fomos comprar nossos ingressos, a atendente nos questionou se não teríamos tempo pra vir no dia seguinte, pois o museu fecharia em menos de uma hora, num tempo que ela não considerava suficiente pra se aproveitar todas as obras.

Ponderamos que seria possível ir ao museu ainda pela manhã de Domingo, almoçar e voltar a Boston a tempo de devolver o carro. Agradecemos a sugestão da moça simpática e decidimos por essa alternativa.

Na volta para Lenox, passamos num lago que ficava à beira de um restaurante indiano pelo qual havíamos cruzado algumas vezes durante nossos passeios de carro. Sempre tinha alguém por ali, pescando, andando de barco ou mesmo nadando. Resolvemos parar para vê-lo de perto e cheguei a pensar em tirar os sapatos e sentar na beira do lago, com os pés empoeirados da trilha dentro d´água. Quando já sentia o frescor da água me aliviando o calor, avistei um cartaz avisando sobre alta incidência do que me parecia ser um molusco esquisito e fui subitamente demovida da ideia. Ficamos só nas fotos, na admiração do lago e seu entorno.






Voltamos ao Hampton Terrace e, depois de uma breve sonequinha, seguimos para nosso último concerto em Tanglewood.


Assim como nos dois dias anteriores, os profissionais do piquenique já estavam confortável e sofisticadamente acomodados, aproveitando o fim de tarde. Gostaria de ter me despedido dessa atividade também, mas com o almoço farto tendo terminado poucas horas antes, não conseguíamos nem pensar em comida ou bebida. Assim, só passeamos pelos campos curtindo de longe a farra dos outros.








O concerto daquela noite passaria também na concha acústica e teria como repertório obras de Strauss, Rachmaninoff e o famoso Bolero de Ravel. A violinista alemã do concerto anterior, Anne Sophie Mutter estava na plateia, assim como uma centena de pessoas com roupas chiques. Ao que parece, eram homenageados do concerto que tinha por nome uma Tanglewood Gala.

Haveria também, no programa, a participação de duas sopranos, Sophie Bevan e Angela Denoke e também uma mezzo-soprano, Isabel Leonard. Cada vozeirão de dar inveja a qualquer canarinho!



O Bolero de Ravel foi particularmente interessante de assistir ao vivo. Começava apenas com a  flauta, à qual aderiam novos instrumentos a cada série melódica, até que toda a orquestra participava num arranjo sinfônico apoteótico. A performance do maestro letão Andris Nelsons crescia junto com o arranjo, de maneira que no fim, parecia que ele ia arranjar uma distensão muscular.




Foi um desfecho perfeito, pois a obra popularíssima de Ravel é quase didática para a percepção do caráter de cada um dos instrumentos e perfeita pra empolgar apreciadores iniciantes da música clássica, como eu.

Como que para coroar nossa última noite de Tanglewood, o concerto gala foi encerrado com show de fogos.

Completamos nossa noite de despedidas jantando no Gateways Inn o maravilhoso hambúrguer com batatas doces assadas que parecem abóboras e cerveja artesanal dos Berkshires, onde aproveitamos para agradecer mais uma vez a hospitalidade de Eiram.

Meia hora depois do jantar, subíamos a escadinha da cama (só eu usei, porque o Eduardo obviamente não precisava dela) para a última noite daquela viagem a ser passada nos Berkshires.

Nenhum comentário:

Postar um comentário