Diante das panquecas feitas de ouro da manhã anterior, no Chowder´s Cafe, resolvemos voltar no West Side Cafe do primeiro dia. Sentamos na mesma mesa e fomos atendidos pelo mesmo garçom mexicano, com a diferença que, desta vez, foram "só" omeletes.
Nos planos da manhã, estavam uma visita ao Metropolitan Museum. Decidimos caminhar até lá, cruzando o parque, dando uma passadinha na frente do belíssimo Dakota Building, que já abrigou uma enorme quantidade de gente rica e famosa, mas é mais conhecido por ter sido o endereço de John Lennon, assassinado logo ali na frente.
Era um lindo e quente Sábado de sol. Os novaiorquinos pareciam estar preguiçosamente acordando e tomando conta do Central Park, estendidos nos gramados, andando de bicicleta ou apenas caminhando, misturados a inúmeros turistas, como nós.
Havia um mar de gente na frente do Metropolitam museum, mas nossa entrada foi quase imediata. Sabíamos que era absolutamente impossível ver sequer a metade do acervo e pegamos o audioguia pra aproveitar melhor o pouco que conseguiríamos visitar. Começamos pela ala egípcia, que é uma das mais famosas do Met.
Achamos esta galeria, que expunha maravilhosos artefatos encontrados em uma tumba. Uma vez que os egípcios acreditavam que a vida continuava em outro lugar e que era necessário levar consigo os pertences que se desejasse utilizar nessa nova vida, a tumba contava com um registro riquíssimo da forma de trabalhar e viver no antigo Egito.
Esta é uma foto da tumba encontrada pelos arqueólogos.
E esses são os artefatos que demonstravam diversas atividades.
A preparação de alimentos, como o pão...
Matadouro e preparação da carne...
A criação do gado...
Navegação...
Essa linda obra de arte nos impressionou também, com sua delicada silhueta desenhada sob a roupa ricamente trabalhada. Ela carrega uma cesta com nada menos do que uma perna de boi, entre outros alimentos. No audioguia, explicou-se que deveria se tratar de oferendas.
A galeria do Templo de Duluth, com uma recriação minuciosa do que deveria ter sido a sua época, em contraste com as enormes janelas para o Central Park e a linda arquitetura de Nova York também são de cair o queixo...
Este salão, com apenas obras americanas, também foi um destaque da nossa visita. A valorização dos espaços amplos e da luz natural são um show à parte na ambientação desse extraordinário museu!
Detalhes curiosíssimos sobre as mais diversas épocas. Outra galeria a que dedicamos um bom tempo foi essa com espetaculares armaduras que, se por um lado eram robustas e pesadas...
... por outro, também eram ricamente detalhadas e trabalhadas para garantir a articulação do guerreiro.
Uma vez que está no Novo e não no Velho Mundo, o Met recria um ambiente sacro para abrigar adequadamente as diversas obras dessa natureza, num trabalho impecável de cenografia.
No meio do caminho, você se dá conta de que está vendo nada menos do que uma obra de Canova!
Nesse momento, atentamos pro fato de que já passava mais da metade do tempo que havíamos programado para esse museu e decidimos ir direto para os pintores de que gostávamos. Vimos nada menos do que 5 das 36 pinturas do Vermeer existentes no mundo e diversas outras obras de Rembrandt, El Greco, Monet, Cezánne, Gauguin, Van Gogh e Picasso. Fiquei apenas com pena de não termos encontrado os Degas cujas cores tão vivas e delicadas, ao mesmo tempo, ficaram na minha memória de 1995, quando fiz minha visita ao Met com minha prima Lucinha.
Passava das 3 da tarde, quando saímos do museu e fomos almoçar. Tentamos encontrar um restaurante de hambúrgueres famosos, nas imediações, indicado no guia, mas as referências estavam erradas. Acabamos parando no Arlington Cafe, que tinha um ambiente delicioso e, dada a hora avançada, já estava bem vazio. Havia apenas mais uns dois grupos além de nós, incluindo uma mesa só de mulheres, com quem o garçom bonitão ficava obviamente flertando. Algumas flertavam de volta, jogando o cabelo de um lado para o outro na hora de fazer os pedidos. Muito engraçado.
Estávamos famintos e, de entrada, veio um pão enorme, pelando de quente, crocante e divinamente fofo. Era uma espécie de um mega pão de queijo. Pra beber, pedimos cerveja.
Pedi hambúrguer, pois tinha ficado com desejo, e o Eduardo um filé. De acompanhamento, vieram umas batatinhas fritas meio rústicas, absolutamente divinas.
A ideia era ir a Chinatown e Little Italy, mas só deu pra Brooklyn Bridge, pois tínhamos uma peça na Broadway logo mais à noite. A ponte estava lotada de gente caminhando e passeando de bicicleta.
Retornamos de metrô e nos arrumamos correndo para a peça All the Way, estrelada por nada menos do que Mr. Brian (Walter White) Cranston, fazendo o papel do presidente Lyndon Johnson.
Só tirei uma fotinho correndo, enquanto as luzes ainda estavam acesas, mas a peça foi absolutamente espetacular! Ela passa do período imediatamente posterior ao assassinato de Kennedy, quando Johnson, que era vice, assumiu a presidência dos Estados Unidos e mostra toda a sua campanha pela eleição, a fim de se tornar "um presidente escolhido pelo povo americano e não um presidente por acaso".
O enredo mostra todo o período turbulento de seu mandato, com a luta pelos direitos civis borbulhando, diversas disputas políticas e a contundente argumentação de Lyndon Johnson, que segundo o Eduardo leu depois na internet, tinha mesmo por hábito intimidar as pessoas, com seu 1,95m, falando de baixo pra cima, quase colando o rosto no interlocutor. Essa maneira "convincente" de se expressar era chamada de "Johnson Treatment".
Brian Cranston estava impecável e arrancava aplausos o tempo todo da plateia. Além do personagem do presidente, havia também o então líder do movimento negro Martin Luther King, também interpretado por um ator fora de série.
Terminada a peça, já era quase meia-noite. Paramos rapidamente num restaurante mexicano ao lado do hotel. Só então, por meio do garçon indiano, finalmente soubemos como havia sido o jogo do Brasil contra o Chile naquela tarde.
Duas tortillas e quarenta minutos depois, capotávamos exaustos no hotel. Que delícia de dia!

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