Apesar do nosso receio de que o tempo ruim fosse se estender
por mais dias, acordamos com um sol lindo e calor. Bem, ao menos tanto calor quanto
pode fazer na região da Nova Inglaterra, porque, com o vento, eu tive de vestir um casaquinho.
Baqueada que estava, graças à alergia ao pólen que o guia do
city tour em Washington já havia profetizado (“se não estiverem sentindo, folks, aguardem, pois a alergia ainda
chegará”), acabei enrolando um pouco pra sair do hotel, de maneira que só pusemos o pé na rua lá pras 11h da manhã.
Em todo caso, estávamos assumindo um ritmo mais lento, pois
NY e Washington haviam sido tão frenéticos quanto um casal de turistas
quarentões (no caso do meu marido, ainda quase) podem aguentar.
Andamos novamente pela Commonwealth Av, que é uma mistura de
via com enorme jardim, agora aproveitando os tons verdes, dourados e vermelhos que o
sol intenso revelava na vegetação farta daquela alameda e em seus lindos
edifícios de tijolo.
Apesar de seu jeito mais tranquilo, Boston não deixa de ser
uma capital importante nos Estados Unidos. Esse caráter oferece enquadramentos
interessantes do céu, recheado de diversidade arquitetônica, que vai do estilo típico
dos prédios baixos de tijolo, passando por prédios de pedra branca, todos
baixos com chaminés e telhados bicudos, indo até os arranha-céus de vidro e
ferro. De alguma maneira, tudo se harmoniza.
Também vimos várias igrejas interessantes. Muitas eram católicas,
como boa parte dos imigrantes irlandeses, italianos e portugueses de Boston, mas passamos
por algumas batistas interessantes, como a primeira igreja batista de Boston. Sua
torre é linda, com mais da metade coberta de hera, como se tivesse sido congelada no
meio de uma transformação.
Esse skyline de Boston é de fato muito rico e charmoso, mas
é justamente o fato de ser tão cercado e entremeado com verde que o torna tão
agradável.
Andamos pela Commonwealth até seu início, no sentido
decrescente das ruas que seguem ordem alfabética: Hereford, Gloucester,
Fairfield, Exeter, Darthmouth, Clarendon, Berkeley e Arlington. Até que
finalmente chegamos ao Public Garden.
O Public Garden foi o primeiro jardim botânico americano e é
muito bem aproveitado pelos residentes de Boston. Ainda assim, vale reparar um
ponto interessante sobre a cidade. Mesmo no fim de uma manhã de sábado, que
deveria estar entre os momentos de maior lotação do parque, ele não estava
muito cheio. É que a cidade oferece vários pontos de lazer e, apesar de figurar
como uma das principais capitais americanas, não tem jeito de megametrópole
urbana. A região dos arredores de Boston, pros quais o transporte de ida e vinda é
bastante facilitado, também é muito bonita e agradável de se morar, como vimos no dia seguinte.
Mas, voltando ao Public Garden, ele foi idealizado pelos
mesmos arquitetos do Central Park e Prospect Park, em Nova York. É repleto de
canteiros de flores lindas, arbustos milimetricamente podados e árvores
maravilhosamente enormes, tudo extremamente bem cuidado e mantido.
Quando chegamos,
havia alguns músicos tocando marchinhas do período da Guerra de Independência,
vestidos a caráter, entretendo as crianças. Como bom parque que se preze, tem
uma estátua de uma figura histórica famosa que, neste caso, era George
Washington, e um lindo lago, onde barcos em forma de cisne faziam passeios com
os turistas mais empolgados.
Em determinado momento, vimos um casal brasileiro
discutindo. Aparentemente, a mulher queria ficar admirando um pouco mais do
parque e estava sendo criticada pelo marido. Ele dizia, “Você só quer ver pato,
pato! Não entende que só temos 2 dias pra passar aqui? Temos de andar mais
rápido!”. Ela retrucou, andando calmamente, abraçada àquela que parecia ser a
filha do casal, “Ô, só fui lá ver um pouquinho mais de perto. Também não pode
ser assim! Tem de aproveitar um pouco! Desse jeito, ninguém mais vai querer viajar
com você!”. Deu vontade de concordar alto com ela. Eta, sujeitinho chato!
Passado o Public Garden, entramos em seguida no Boston
Commons, que vem a ser o primeiro parque público dos Estados Unidos. Construído
dois séculos antes do Public Garden, ele é menos florido e arborizado, com mais
descampados, de gramado bem verde. Tem um caráter menos contemplativo e mais
prático, com quadras de beisebol e espaços de convivência. Acredito que tivesse
pouca gente utilizando esses espaços graças ao horário, quando o sol já estava
a pino, apesar da temperatura ainda ser agradável, parecendo estar na casa dos
27, 28 graus, no máximo.
Deu pra ver, de longe, o domo do Massachusetts State House,
um prédio administrativo do governo do estado de Massachusetts que nem acho
bonito visto de perto, mas misturado ao verde do parque, ficou interessante.
Fomos em direção ao Downtown, que por ser Sábado, também não
parecia ter muitos locais transitando, sendo a maioria daqueles que pareciam
ser turistas, como nós. Passamos pela Park Street Church, com sua torre curiosa,
parecendo sair um compartimento de dentro de outro, até o bico pontudo.
Logo depois, a Old South Meeting House. Hoje um museu, o
prédio foi construído em 1729, como um local que abrigava reuniões dos
Puritanos. Desde então, diversos eventos importantes da história americana aconteceram
lá, como uma retratação pública do Juiz Samuel Sewall por sua atuação nos julgamentos
das famosas Bruxas de Salem e, mais tarde, inúmeros debates políticos dos
colonos, cujos resultados tiveram papel importante na Guerra da Independência.
Caminhamos até a famosa Faneuil Hall, construída em 1742,
abrigando um mercado e também sendo local de encontros, mas que hoje abriga diversos
restaurantes.
Este foi um dos poucos lugares lotados de Boston. Os menos de 5
minutos que passamos lá dentro já deixaram o Eduardo suando com claustrofobia e
eu bastante desconfortável. Tratamos de sair rapidinho. Também há inúmeros
restaurantes em volta do local, mas todos com uma certa cara de pega-turista,
de maneira que decidimos ir em direção a North End, onde se concentram os
italianos de Boston e, consequentemente, ótimos lugares pra fazermos um almoço
daqueles.
No trajeto, passamos antes antes pelo cais, na região
chamada de Long Wharf, cercado de parques e restaurantes. O Eduardo me explicou que, antes, em seu lugar,
havia um viaduto bem feio. Durante todos os anos em
que morou por lá, havia uma obra em andamento no local. Ele voltou para o
Brasil antes de sua finalização, mas quando retornou em visita, alguns anos
atrás, um amigo mostrou o resultado e contou que a região havia sido
extremamente valorizada depois da revitalização, passando a contar com imóveis
bem caros.
Chegando a North End, estávamos já morrendo de fome. A
intenção era ir ao Regina, que segundo o Trip Advisor, tinha melhor pizza da
cidade. No entanto, ainda estava um pouco longe e reparamos em alguns passantes comentando
sobre terem acabado de comer por lá. Isso nos fez que o local talvez
estivesse bem cheio. Resolvemos parar no Lucia, que ostentava um selo de
vencedor em algum ano do Trip Advisor, mais algumas estrelas.
Nossa escolha foi acertada, pois o restaurante era pequeno,
mas apesar de estar bem cheio, não era barulhento e tinha uma única mesa
disponível, para casal, esperando por nós.
Pedimos um vinho de Napa Valley, bruschettas e uma sopa
típica de entrada, pois estávamos famintos! De prato principal, o Eduardo pediu
uma massa com camarões e eu uma lasanha que, segundo o cardápio, era receita
especial de Dona Lucia.
A lasanha seria divina, não tivesse eu provado a do Fiorello
em NY, mas aí também era covardia com D. Lucia, pois nunca vi uma versão tão
maravilhosa quanto aquela.
Passamos pela estátua do famoso Paul Revere, aquele que teria
cavalgado quilômetros pra avisar que “os ingleses estão chegando”.
E, então, chegamos à Old North Church, que seria a primeira
igreja de Boston.
Seguindo o fluxo de turistas, acabamos dando uma voltinha no
Copps Hill Burying Ground. Ficamos curiosos a respeito das lápides padronizadas
com símbolos que variavam necessariamente entre 3 tipos: caveira, anjo ou
escudo. Foi só fazer a pergunta que vimos um painel explicativo. A caveira aparecia em 80% das lápides, simbolizando a mortalidade desde o período
medieval. As asas, ou anjos, na maior parte das vezes, passaram a popular as
gravações a partir do meio do século XVIII, associados a colonos mais
conservadores, enquanto que os escudos eram preferidos por aqueles que se
identificavam com os elementos heráldicos. O quadro mostrou, no entanto, que
havia mais um 4º símbolo, com uma urna e um salgueiro debruçado sobre ela.
Nesse caso, a urna representava a morte e o salgueiro o pesar sentido por ela.
A arquitetura de North End repetia o padrão dos tijolinhos
vermelhos, mas com fachadas um pouco mais envelhecidas, dando um certo charme ao bairro mais histórico de
Boston.
Fomos na direção da região governamental de Boston, com um
aspecto mais árido da maior parte da cidade que tínhamos conferido até então.
Algumas crianças se refrescavam num desses parquinhos com chuveiros/chafarizes
que vimos com tanta frequência nas cidades que visitamos. Nesta foto, dá pra
ver a prefeitura, a Boston City Hall, ao fundo...
Passamos por um monumento (bem feio, por sinal) em homenagem
aos mortos no Holocausto nazista...
E entramos no coração dessa área administrativa,
visualmente bem mais árida, mas, que oferecia alguns ângulos interessantes ao se
olhar pro céu, com arquitetura diversificada entre prédios antigos e modernos,
numa mistura bastante comum a Boston.
Chegamos então ao charmoso bairro de Beacon Hill, que fica
numa área levemente acima do resto da cidade. Ali, apenas prédios baixos e
muito verde.
Achamos interessante esse bilhete pregado na portaria de um
dos prédios, onde o morador pedia que encomendas fossem deixadas ali e que ele
assumia totalmente o risco de algo acontecer com elas. Havia vários pacotes na
portaria, aparentemente, intocados. Ah, se fosse no... Bom, não preciso nem
completar a frase.
Em Beacon Hill, os lampiões ainda são alimentados a gás e
ficam acesos o dia inteiro.
Achamos curiosa essa numeração das ruas, que contavam, às
vezes, com um 99 ½!!!
Vimos recém casados fazendo fotos nas charmosas calçadas do
bairro...
E voltamos em direção aos parques e à Commonwealth. No
caminho, por acaso, consegui registrar um dos ônibus anfíbios, que fazem o
passeio pela cidade, tanto por terra, quanto pela água.
Tentamos jantar no restaurante tailandês em que o Eduardo
adorava ir durante a faculdade e que ficava Newbury Street, mas estava fechado. Aliás,
isso foi uma constante durante a viagem. Não conseguimos nos acostumar ao
estilo de se jantar mais cedo do americano, ainda mais com dia claro até 9
horas da noite. Assim, fomos arriscar outros restaurantes na Boylston, que era
mais movimentada e acabamos em um outro thai, chamado Blue Thai. Os atendentes
não foram muito simpáticos, nem atenciosos, mas a comida estava uma delícia.
Tomei uma sopa de côco com frutos do mar e bastante apimentada que era dos
deuses. E depois um camarão com manga, também de comer de joelhos.
E com essa deliciosa refeição, terminamos um dia bastante
movimentado. Ufa!
Beijos.
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