sábado, 19 de julho de 2014

6 de julho: Boston e arredores, num dia de memórias afetivas

No dia anterior, o Eduardo havia entrado em contato com um casal de amigos seus de longa data, Martha e Taka. Martha é americana, mora nos arredores de Boston e trabalha em Downtown. Ela conheceu a família do Eduardo ainda nos anos 60. Taka é um músico japonês residente nos EUA desde a década 60. Eles se casaram há cerca de 20 anos, e desde então, Taka tornou-se igualmente amigo do grupo.

Depois que o Eduardo fez intercâmbio em Illinois, antes de retornar ao Brasil, passou uma temporada com esse casal em Boston. O pai do Eduardo pediu à Martha que mostrasse como a cidade poderia ser especial e assim ela fez. Não deu outra. Eduardo, então com 17 anos, apaixonou-se por Boston e retornou assim que pode pra concluir o colegial e depois fazer faculdade.

Esse pequeno epílogo teve o intuito de mostrar os laços fortes que meu marido e sua família têm com esse casal tão especial. E não é à toa. Desde o primeiro momento em que os encontrei, fui carinhosamente acolhida, como se fosse uma nora e uma daquelas bem queridas.

Martha e Taka fizeram uma grande festa com o telefonema do Eduardo e conseguimos, então, marcar um almoço no dia seguinte, Domingo, tema desta postagem atual. Depois, passearíamos pelos arredores de Boston, talvez até mesmo pelo subúrbio onde ficam a antiga escola, faculdade e moradia do Eduardo, fechando assim, um tour completo de memórias afetivas.

Por volta de meio-dia, Martha e Taka marcaram de nos buscar no hotel. Descemos no horário combinado e Martha já estava lá, abrindo um sorriso emocionado ao ver o Eduardo, correndo pra abraçá-lo e contando orgulhosa ao pessoal da recepção “Ele é meu bebê! Eu o conheço desde que era um bebezinho! Meu bebê!”. Em seguida, me abraçou, me elogiando muito, dando parabéns pelo casamento. Já saímos do hotel como se nos conhecêssemos há muito tempo.

Taka estava no carro, nos aguardando. Simpaticíssimo, com um sorriso de criança apesar de seus quase 80 anos, foi conversando com o Eduardo sobre música, que lhe contou orgulhoso sobre o fato de estar aprendendo a tocar violoncelo.

Eu fui atrás com Martha, batendo altos papos, ora em Inglês, ora em Português, que ela fala perfeitamente, junto com um outro tanto de idiomas que domina, como Francês, Grego, Russo e Espanhol.

Fomos até uma área muito próxima a Boston, chamada Chestnut Hill. Escolhemos um restaurante chinês e Taka ficou brincando com o Eduardo sobre o fato de ele não gostar de vegetais, dizendo que ia pedir um prato cheio de “verdes”.

Depois do almoço, Martha e Taka sugeriram de irmos a Waltham, onde fica a Brandeis University e Weston, onde fica o Cambridge School of Weston, respectivamente a faculdade do Eduardo e o colégio onde ele cursou o último ano.

Waltham, assim como Weston, Brookline e Newton, outros subúrbios de Boston que conhecemos, parecem ter construções no meio de parques. É impressionante a diferença que esse aspecto dá ao ambiente urbano, aliado também ao fato de uma densidade populacional baixa. Há muitos espaços sem gente pra que os olhos possam respirar e, normalmente, esses espaços são verdes.

Em poucos minutos, chegamos à famosa Brandeis University, sobre a qual eu já havia escutado tantas histórias e imaginado formas e ares. Pelo fato de estarmos nas férias de verão, não era possível ver os estudantes passeando no campus, mas deu pra perceber que a atmosfera não tem como ser pesada ou elétrica, bucólico e arejado que é aquele espaço.







A origem de Brandeis é interessante. O Eduardo me contou que a iniciativa de sua fundação surgiu a partir da II Guerra Mundial, quando algumas universidades de elite impuseram limites às admissões de estudantes judeus. No entanto, a admissão a Brandeis é independente de credo religioso, de maneira que se pode conferir templos de diversas origens, quase que celebrando um espaço para essa diversidade.











Seguimos, então, para a Cambridge School of Weston, que trazia memórias ainda mais queridas ao Eduardo. Muita coisa havia mudado no colégio, com alguns prédios novos, inclusive, mas o aspecto, segundo ele, era majoritariamente o mesmo. Fiquei imaginando o que deve ser para uma criança ou um adolescente receber sua formação escolar naquele espaço amplo, cheio de incentivos à arte e ao valor da natureza.
















Passamos também pela área mais residencial de Waltham e pelo prédio, um edifício bem antigo e histórico, onde o Eduardo e dois amigos dividiram um apartamento nos anos 90.


Depois do passeio memorável, Martha e Taka nos deixaram no hotel sob a promessa de nos encontrarmos no dia seguinte pra almoçarmos novamente.

Descansamos um pouco, mas tratamos de não esquecer do horário do jantar, pois às 9 da noite, as cozinhas dos restaurantes, em sua maioria, já fecham. Assim, pouco depois, já estávamos na rua novamente.

Fomos em direção à Newbury Street, onde fica o restaurante tailandês que o Eduardo queria tanto revisitar, chamado Thai Basil. Pedi uma taça de vinho branco que veio muito, mas muito fraquinho. Em compensação, a entrada veio que veio picante!





Pedi um Pad Thai e o Eduardo um camarão com pimenta. Estava tudo muito saboroso, mas apesar de gostar de sabores picantes, não tenho muita resistência. No fim, parecia que eu respirava fogo! 


Pedi um chazinho na vã esperança de suavizar os efeitos do jantar.


Ainda passeamos um pouco na Newbury, onde o Eduardo tomou um sorvete de uma loja famosa em Boston, mas eu, ainda tentando me restabelecer da pimenta, nem me dei conta de registrar.

A Newbury St, badalada que é, estava ainda bem cheia. Assim, preferimos a calma e o verde da Commonwealth Av. Começava a anoitecer lindamente por entre seus românticos prédios de tijolos e alamedas arborizadas. Decididamente, a Commonwealth se tornou minha via preferida neste mundo (quer dizer, tirando Florença, lógico)!



O Elliot Hotel não estava menos bonito, com uma lua cheia cuja foto não faz juz.


Viagem memorável esta!


Beijos.

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