No dia anterior, o Eduardo havia entrado em contato com um
casal de amigos seus de longa data, Martha e Taka. Martha é americana, mora nos
arredores de Boston e trabalha em Downtown. Ela conheceu a família do Eduardo ainda
nos anos 60. Taka é um músico japonês residente nos EUA desde a década 60. Eles
se casaram há cerca de 20 anos, e desde então, Taka tornou-se igualmente amigo
do grupo.
Depois que o Eduardo fez intercâmbio em Illinois, antes de
retornar ao Brasil, passou uma temporada com esse casal em Boston. O pai do
Eduardo pediu à Martha que mostrasse como a cidade poderia ser especial e assim
ela fez. Não deu outra. Eduardo, então com 17 anos, apaixonou-se por Boston e
retornou assim que pode pra concluir o colegial e depois fazer faculdade.
Esse pequeno epílogo teve o intuito de mostrar os laços
fortes que meu marido e sua família têm com esse casal tão especial. E não é à
toa. Desde o primeiro momento em que os encontrei, fui carinhosamente acolhida,
como se fosse uma nora e uma daquelas bem queridas.
Martha e Taka fizeram uma grande festa com o telefonema do
Eduardo e conseguimos, então, marcar um almoço no dia seguinte, Domingo, tema
desta postagem atual. Depois, passearíamos pelos arredores de Boston, talvez
até mesmo pelo subúrbio onde ficam a antiga escola, faculdade e moradia do
Eduardo, fechando assim, um tour completo de memórias afetivas.
Por volta de meio-dia, Martha e Taka marcaram de nos buscar
no hotel. Descemos no horário combinado e Martha já estava lá, abrindo um
sorriso emocionado ao ver o Eduardo, correndo pra abraçá-lo e contando
orgulhosa ao pessoal da recepção “Ele é meu bebê! Eu o conheço desde que era um
bebezinho! Meu bebê!”. Em seguida, me abraçou, me elogiando muito, dando
parabéns pelo casamento. Já saímos do hotel como se nos conhecêssemos há muito
tempo.
Taka estava no carro, nos aguardando. Simpaticíssimo, com um
sorriso de criança apesar de seus quase 80 anos, foi conversando com o Eduardo
sobre música, que lhe contou orgulhoso sobre o fato de estar aprendendo a tocar
violoncelo.
Eu fui atrás com Martha, batendo altos papos, ora em
Inglês, ora em Português, que ela fala perfeitamente, junto com um outro tanto
de idiomas que domina, como Francês, Grego, Russo e Espanhol.
Fomos até uma área muito próxima a Boston, chamada Chestnut
Hill. Escolhemos um restaurante chinês e Taka ficou brincando com o Eduardo
sobre o fato de ele não gostar de vegetais, dizendo que ia pedir um prato cheio
de “verdes”.
Depois do almoço, Martha e Taka sugeriram de irmos a Waltham,
onde fica a Brandeis University e Weston, onde fica o Cambridge School of
Weston, respectivamente a faculdade do Eduardo e o colégio onde ele cursou o
último ano.
Waltham, assim como Weston, Brookline e Newton, outros subúrbios
de Boston que conhecemos, parecem ter construções no meio de parques. É
impressionante a diferença que esse aspecto dá ao ambiente urbano, aliado
também ao fato de uma densidade populacional baixa. Há muitos espaços sem gente
pra que os olhos possam respirar e, normalmente, esses espaços são verdes.
Em poucos minutos, chegamos à famosa Brandeis University,
sobre a qual eu já havia escutado tantas histórias e imaginado formas e ares.
Pelo fato de estarmos nas férias de verão, não era possível ver os estudantes
passeando no campus, mas deu pra perceber que a atmosfera não tem como ser
pesada ou elétrica, bucólico e arejado que é aquele espaço.
A origem de Brandeis é interessante. O Eduardo me contou que
a iniciativa de sua fundação surgiu a partir da II Guerra Mundial, quando
algumas universidades de elite impuseram limites às admissões de estudantes
judeus. No entanto, a admissão a Brandeis é independente de credo religioso, de
maneira que se pode conferir templos de diversas origens, quase que celebrando
um espaço para essa diversidade.
Seguimos, então, para a Cambridge School of Weston, que
trazia memórias ainda mais queridas ao Eduardo. Muita coisa havia mudado no
colégio, com alguns prédios novos, inclusive, mas o aspecto, segundo ele, era
majoritariamente o mesmo. Fiquei imaginando o que deve ser para uma criança ou
um adolescente receber sua formação escolar naquele espaço amplo, cheio de
incentivos à arte e ao valor da natureza.
Passamos também pela área mais residencial de Waltham e pelo
prédio, um edifício bem antigo e histórico, onde o Eduardo e dois amigos
dividiram um apartamento nos anos 90.
Depois do passeio memorável, Martha e Taka nos deixaram no
hotel sob a promessa de nos encontrarmos no dia seguinte pra almoçarmos
novamente.
Descansamos um pouco, mas tratamos de não esquecer do
horário do jantar, pois às 9 da noite, as cozinhas dos restaurantes, em sua
maioria, já fecham. Assim, pouco depois, já estávamos na rua novamente.
Fomos em direção à Newbury Street, onde fica o restaurante
tailandês que o Eduardo queria tanto revisitar, chamado Thai Basil. Pedi uma
taça de vinho branco que veio muito, mas muito fraquinho. Em compensação, a
entrada veio que veio picante!
Pedi um Pad Thai e o Eduardo um camarão com pimenta. Estava tudo
muito saboroso, mas apesar de gostar de sabores picantes, não tenho muita
resistência. No fim, parecia que eu respirava fogo!
Pedi um chazinho na vã
esperança de suavizar os efeitos do jantar.
Ainda passeamos um pouco na Newbury, onde o Eduardo tomou um
sorvete de uma loja famosa em Boston, mas eu, ainda tentando me restabelecer da
pimenta, nem me dei conta de registrar.
A Newbury St, badalada que é, estava ainda bem cheia. Assim,
preferimos a calma e o verde da Commonwealth Av. Começava a anoitecer
lindamente por entre seus românticos prédios de tijolos e alamedas arborizadas.
Decididamente, a Commonwealth se tornou minha via preferida neste mundo (quer
dizer, tirando Florença, lógico)!
O Elliot Hotel não estava menos bonito, com uma lua cheia
cuja foto não faz juz.
Viagem memorável esta!
Beijos.
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