Acordamos um pouco mais tarde e preguiçosos do que de costume,
graças à maratona do dia anterior. Fazia uma sexta-feira nublada e com grande
probabilidade de chuva. Tudo rebarba do furacão Arthur, que tanto havia
atrapalhado nosso voo e agora atrapalharia nosso dia. Mas férias são férias, mesmo debaixo d´água!
Decidimos caminhar pela arborizada e charmosa Commonwealth Av.,
cercada de prédios baixos, com aquele acabamento de tijolinho, tão comum na
cidade, sendo intercalado por algumas brownstone houses e outros edfícios
brancos, totalmente trabalhados. Também passamos pela chique Newbury, repleta
de lojas e cafés interessantes. Era um clima animado, bem diferente daquele que
havíamos visto na madrugada anterior.
Paramos num restaurante chamado Cafeteria, que parecia estar
cheio de jovens aproveitando as férias de verão. O Eduardo pediu panquecas e eu
pedi uma salada com salmão defumado, toradas e ovos poché. Foi curioso comer um
prato tão completo ainda antes de meio-dia, mas é essa a ideia do brunch e eu
adoro seguir os costumes locais (principalmente em termos de gastronomia).
Quando pedimos a conta, o Eduardo me chamou atenção pra um
costume local dos restaurantes, quando costumam colocar carinhas felizes ao
lado do “thank you”, na conta, agradecendo antecipadamente a gorjeta.
Ao sairmos do restaurante, já começava uma chuva fininha,
que seguiu até o fim do dia, junto com uma maldita alergia
que não me largou até o final da viagem. Em todo caso, reitero que qualquer alergia é irrelevante quando se está de férias.
O Eduardo queria ver o jogo do Brasil, que ainda eram as
Quartas de Final, contra a Colômbia. Eu havia já decidido que não gastaria
tempo algum das minhas preciosas férias com Copa e, diante do desastroso posterior desfecho da nossa seleção, vê-se que minha escolha foi
acertada.
Fomos juntos até o shopping, onde o Eduardo me mostrou como
há várias galerias entrelaçadas por passarelas cobertas, criando um complexo de
compras que eu, que nasci com a bússola interna quebrada, demorei um tempo até
me nortear.
Na nossa lista de compras, já havíamos incluído o item mala,
pois a minha havia sido semi-destruída na viagem ao Uruguai. Além disso, havia
muitas encomendas da família esperando por nós no hotel e a nova bagagem já
faria sua estreia com esses itens. Aproveitamos o tempo que tínhamos até o jogo
pra comprar a nova mala e levá-la até o Elliot.
No caminho para o shopping, havíamos procurado por um local
em que fosse transmitir o jogo e acabamos reparando no Globe, um restaurante
enorme, todo decorado para o mundial, com bandeirinhas de vários países, que
fica na Boylston St. Entramos e fiquei um pouco ali com o Eduardo, percebendo o
bar encher de pessoas que também pareciam interessadas na Copa.
Foi nesse momento que percebemos uma conversa de uma moça
que aparentava uns 20 anos, falando muito alto e repetindo incontavelmente um
vício de linguagem dos americanos que reparamos desde o início da viagem: o
maldito “like”! De cada 5
palavras, uma é “like”! São frases como “I was, like, walking, and then, I,
like, suddenly, like, met this guy. He was, like, in front of that bar, you
know? That bar where we, like, go every Friday night…”. Resolvemos
cronometrar 30 segundos e contar quantos “like”. Foram nada menos do que NOVE!!!
Tomei um bloody mary (enooorme, delicioso e apimentadíssimo) e o
Eduardo uma cerveja, enquanto nos divertíamos com nossa observação. Terminado meu drink, deixei meu
marido com sua recente descoberta pela apreciação do futebol (segundo ele, só a
Copa, que é mais emocionante, e por motivos políticos, ou seja, só pra torcer
contra o Brasil) e retornei ao shopping.
A essa hora, já chovia forte e minha primeira compra foi
um guarda chuva. Escolhi um bem barato, pois se trata de um item absolutamente
descartável pra mim. Sempre perco meus guarda-chuvas antes de dar tempo de eles
quebrarem. Meu recorde foi um que comprei em Verona e durou 1 ano e meio. Fiquei muito mal depois de me dar conta de que havia ficado no táxi. Assim, para
evitar a inevitável tristeza que vou sentir quando perder o
próximo, só compro daqueles bem porcarias. Comprei um verde de bolinhas brancas na Marshall´s, quase não olhando muito para o pobre, pra não me apegar, pois sabia que o destino dele seria o abandono, mais cedo ou mais tarde.
Bati perna por todas as galerias que ligavam Copley Place, Prudential Center e Hynes Center, em conexões feitas, como eu havia mencionado, por passarelas cobertas.
Como era o feriado de 4 de julho e estava chovendo, as lojas
e corredores estavam super cheios. Isso ajudou um pouco a confundir meu pífio senso de localização entre as galerias
e galerias de lojas. O resultado é que demorei séculos até achar uma Sephora gigantesca, mas que infelizmente não tinha o que me havia sido encomendado. Cruzei as gôndolas vendo as novidades e
achei muita graça das adolescentes testando todas as maquiagens e cosméticos
possíveis, disparando um milhão de “likes” a cada frase.
Resolvi dar uma paradinha estratégica na praça de alimentação e fazer uma boquinha. Comprei um burrito, prato mexicano que eu costumava comer muito em NY quando fiz o curso em 1995 e
depois nunca mais. Escolhi dentre uma série de opções de recheio montado pela
atendente, a partir de um buffet e saí com um tijolão mega pesado. Fiquei com uma certa vergonha de me verem comer aquele bate-entope e dei graças a Deus do Eduardo não estar presenciando aquela cena tão pouco feminina. O aspecto do burrito era completamente diferente do que eu me
lembrava, parecendo um enorme wrap de arroz, feijão, chilli e abacate. Tão feio que não valeu a foto... mas confesso! Estava uma delícia!
Andei um bom tempo até conseguir achar a loja Lord &
Taylor que haviam me indicado pra encontrar maquiagem da Shiseido. Quando
cheguei no stand e pedi os refis de pó compacto do estojinho azul que estavam
na minha lista de pedidos, a vendedora, com o sotaque russo que aprendi a
identificar, perguntou de cara se eu era brasileira. Quando respondi que sim,
ela disse que todas as brasileiras, e praticamente só as brasileiras, vinham
atrás desse pó da Shiseido. Achei curioso e, ao mesmo tempo, concluí que a
mulherada brazuca deve estar estar criando um desvio de comportamento nas
pesquisas da Shiseido.
Descobri que sou uma negação em compras, pois mesmo diante daquele arsenal de consumo brilhando aos meus olhos, não consegui comprar quase nada.
Passei por um restaurante com um telão gigantesco e não resisti a dar uma espiadinha no placar. Vi que estava 2x1 pro Brasil e respirei aliviada. Humpf... sabia de nada, inocente!
Voltei pro hotel debaixo de uma chuva forte, com vento. Quando cheguei ensopada ao
quarto, encontrei o Eduardo curtindo aquela suíte linda, ouvindo música da
rádio que gostava na época da faculdade e lendo seu livrinho. Nada mau!
Quando chegou a hora do jantar, chegamos até a nos arrumar pra
sair, mas quando botamos o nariz na rua e na chuva, desistimos. Estava tão mais
confortável no quarto que resolvemos voltar e pedir online uma pizza na Domino´s. Foi divertido acompanhar o pedido na internet, onde eles colocam uma animação da pizza que o cliente solicitou sendo preparada, assada, embalada e transportada, supostamente de acordo com o status naquele momento. Foi tudo bem rápido e em 20 minutinhos, estávamos jantando uma ótima pizza quentinha, acompanhada de cervejas Samuel Adams, típicas de Boston.
O dia foi meio modorrento, de maneira que acho que o post
também saiu bem marromenu. Mas de novo, estamos de fériaass!!
Em todo caso, todos os
outros dias, em compensação, foram sensacionais. Espero que os posts também
tenham acompanhado a qualidade.
Beijos.
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