A programação daquela manhã era fazer uma visita ao
escritório de Martha e Taka, em Downtown, mas tamanha era a alergia (minha) e a
preguiça (nossa), que só fomos sair do hotel quase 11 horas da manhã.
Refizemos o início do percurso do dia anterior, seguindo mais uma vez pela Commonwealth
Av.,...
...entrando no Public Garden...
e saindo dele por uma das laterais. Procuramos
uma franquia de pâtisserie para o café da manhã e escolhemos a Au Bon Pain bem debaixo do prédio onde
ficava o escritório.
Comi um croissant de queijo doce com caramelo macchiatto e o
Eduardo sua querida combinação de pão de chocolate e expresso. Quando saíamos
do café, uma figura jovial e risonha interrompia propositadamente nosso
caminho. Era Taka, que nos reconheceu e veio brincar conosco.
Subimos com ele para o escritório e, lá chegando, Martha nos
mostrou as fotografias emolduradas que ladeavam as duas salas, mais a
antessala, compondo o local de trabalho dividido por ela e Taka. Eram todas de
artistas representados por Martha, das mais diversas nacionalidades, entre elas
japonesa e brasileira.
Já era quase meio dia e meia quando terminamos de conhecer
todas as obras que o escritório abrigava e descemos com nossos amigos para que
eles almoçassem. Na passagem pela portaria, Martha fez nova apresentação do
Eduardo para as pessoas que trabalhavam no local, que achavam uma graça
afetuosa do tratamento dado por ela ao homem barbado de quase dois metros de
altura, “Ele é meu bebê! Eu o conheço desde que era um bebezinho!!!”.
Como eu e Eduardo tínhamos tomado café fazia pouco tempo,
apenas acompanhamos os dois, que não cansavam de nos apresentar, inclusive aos
funcionários do fast food que
escoheram para almoçar, cujo dono era brasileiro. Foi bacana constatar como
ambos eram queridos por todos aqueles com quem falavam.
Ficamos nesse espaço, que era uma galeria comercial muito
ampla, com paredes de vidro e alguns jardins internos, onde pássaros cismavam de entrar, vez ou
outra, pela pequena porta, achando que por ter árvores, seria lugar pra eles.
Tentei ajudar um a sair, mas ele se espantava toda vez que chegava perto da
porta, voando pra todos os lados, menos o que eu queria. Quando vi que tinha
uma porção de outros na parte de dentro, relaxei e desisti.
Terminado o almoço de nossos amigos, seguimos nosso roteiro
para o fim do dia, que incluía uma visita ao Museu de Belas Artes de Boston,
passeio pelos parques do Emerald Necklace e visita à cidade de Cambridge. Despedimo-nos
dos nossos amigos e voltamos em direção à Newbury Street, onde almoçamos num
restaurante japonês.
Aproveitei a raríssima ocasião em que estava com pouca fome
para comer uma salada de algas super saborosa e o Eduardo alguns sushis.
Ficamos na parte de dentro do restaurante, onde havia uma ilustração interessante
em um grande quadro negro.
Acompanhado da minha filosofia gastronômica...
Decidimos ir para o Museu de metrô e, no caminho, passamos
pela Trinity Church, cujo interessante estilo eclético eu ainda não tinha
registrado, bem na frente do moderno edifício Hancock.
O metrô de Boston é um dos mais antigos dos Estados Unidos e
aquele que precisávamos pegar tinha parte do trajeto na superfície, na chamada
Green Line.
Em cerca de 10 minutos, estávamos no Museu de Belas Artes...
E encontrando aquele que parecia ser a escultura de uma
outra encarnação do Eduardo no mundo antigo.
O museu, que está no rol dos mais importantes do mundo,
contava com uma bela coleção de esculturas greco-romanas e também egípcias.
Mas nos detivemos mais nas pinturas, em especial, as naturezas-mortas
do Chardin que meu marido tanto ama. Pena que o enquadramento feito nesta foto não honrou a beleza das obras.
Esta, em particular, foi vista por ele muitas
vezes, com muito tempo de apreciação, durante o período em que cursou Artes, em Brandeis.
Algumas obras que vimos foram curiosas, como esta expressão de bufão do
sujeito do busto abaixo.
E também este busto do Mirabeau, sobre cujo caráter
desafiador e inteligente eu conheci um pouco no livro que tinha acabado de ler
e adorar, logo antes da Lua de Mel; a biografia de Maria Antonieta escrita por
Stefan Zweig. Tanto essas características psicológicas, quanto a pele marcada pela
varíola, me pareceram bem retratadas na escultura desse personagem histórico.
Chegamos na área dos Impressionistas, onde pude conferir uma
pintura lindíssima do meu querido Degas, desconhecida pra mim e pela qual quem
me apaixonei absolutamente.
E mais inúmeras pinturas maravilhosas, além de esculturas dele, Degas, e do Rodin...
Saímos com o Museu fechando, pois era segunda-feira e o encerramento
do período de visitação era às 16:30. Ainda tinha muito tempo de dia claro e aproveitamos um pouco da vista no entorno do edifício.
Fomos, então, em direção aos parques que, um após o outro, formam
o que é chamado de Emerald Necklace de Boston. Só conseguimos caminhar pelo
Fenway Park, mas deu pra imaginar como aquele maravilhoso conjunto verde
deveria ser lindo, propagando-se ao longo de 11km. Gostaria que tivéssemos tido tempo de percorrer
esse colar de esmeralda inteiro a pé ou de bicicleta.
Decidimos voltar ao hotel antes da última aventura do dia,
que seria a visita à cidade de Cambridge, onde fica a famosa Harvard University
e fomos andando. Como o almoço havia sido frugal, demos uma paradinha
estratégica no Sonsie´s, que ficava na Newbury Street, para uma pizza com
chopp. Esse restaurante é curioso porque na parte mais próxima à varanda,
durante o dia, todas as mesas e cadeiras ficam viradas para a rua, como um café
parisiense, pra que os fregueses possam “ver as modas”.
Depois de passados aqueles dias, escrevendo no blog, refleti como esse deve ser um comportamento exclusivo do verão e, no máximo, da primavera, quando locais que podem ser tão frios, como Boston no inverno, tentam sorver ao máximo as cores, humores e ares dos dias mais quentes do ano.
Depois de passados aqueles dias, escrevendo no blog, refleti como esse deve ser um comportamento exclusivo do verão e, no máximo, da primavera, quando locais que podem ser tão frios, como Boston no inverno, tentam sorver ao máximo as cores, humores e ares dos dias mais quentes do ano.
Terminado nosso lanchinho "complementar" do almoço, pegamos novamente o
metrô, agora na direção de Cambridge, cuja proximidade de Boston e ambiente de
universitários também havia sido um grande atrativo para o outrora bem jovem
Eduardo, nos idos dos anos 90 e, por isso, também trazia diversas memórias
afetivas.
Mais uma vez, o fato de estarmos em plenas férias de verão
esvaziava a tão famosa Harvard. Neste caso, no entanto, não era necessário
buscar tanto na imaginação cenas daqueles prédios e campus populados, uma vez
que tantos filmes tiveram aquele lugar como cenário. Bastava recorrer na memória a uma
cena, por exemplo, de A Rede Social.
(esta ficou horrorosamente tremida, mas achei que valia o registro, ou não...)
Além de nós, algumas poucas pessoas transitavam pelos
gramados, além de uma excursão oriental que também aproveitava aquele início de
noite pra conhecer as instalações da universidade famosa. O único lugar que
ainda se mostrava com um grupo maior de pessoas era uma de suas inúmeras
bibliotecas.
Fomos até o cinema da escola de artes visuais, que o Eduardo
muito frequentou durante o período em que estudou em Brandeis. Devido às férias, não havia nada em cartaz, mas o prédio estava aceso, guardado por um vigia, aberto e possível de
ser visitado. Demos “boa noite” ao guarda e ficamos curtindo os inúmeros posteres que
divulgavam os filmes do acervo da faculdade, que costumam ser apresentados durante a temporada de aulas.
O Eduardo me explicou como era diversificada a programação,
que normalmente tinha algum gancho temático, como, constatamos ter sido o
festival de Resnais. Ele havia passado pouco antes das férias de verão, conforme era
divulgado em um dos muitos murais do cinema.
Andamos mais um pouco pela cidade que, não só por abrigar
Harvard e mesmo estando claramente desfalcada de seus milhares de estudantes em
férias, parecia bastante simpática. Conseguimos ver alguns dormitórios estudantis, cujos
quartos podia-se identificar a partir de camas beliches e
luminárias funcionais que se vislumbrava pelas janelas.
Como já passava de 21h, a maioria dos restaurantes que o Eduardo
costumava frequentar já estava fechada, apenas atendendo os clientes que já
estavam lá dentro, como o Bartley´s e um tailandês. Ele garantiu que, em último
caso, teríamos a pizza do Pinnochio, onde ele mesmo havia matado sua fome na madrugada, por
várias vezes e bem baratinho. Como já tínhamos comido pizza naquele dia,
continuamos buscando outra opção.
Por acaso, vimos uma lanchonete que havia sido indicada pelo
Taka como tendo excelentes hambúrgures, a Shake Shak, que ainda estava
servindo. Não fomos de pizza, mas de hambúrguer! E, de fato, estava uma
delícia!
Continuamos nosso tour e resolvemos entrar no Pinocchio,
deixando o Eduardo surpreso com o fato de estar quase igual aos anos 90.
Cardápio na parede, com pizzas cortadas vendidas inteiras e por fatia. Um
refrigerador trazia algumas bebidas, todas sem álcool. As paredes eram
ilustradas por um painel pintado com uma cena da história do Pinnochio e
algumas fotos de clientes especiais. Eram estudantes famosos de Harvard, como Mark Zuckerberg.
Esse destaque ilustre, sem dúvida, era uma novidade do século XXI no Pinnochio.
Diante de tantas semelhanças, não pudemos deixar de provar a
pizza, baratíssima e saborosa acima do preço.
Fomos em direção a um cinema que também havia sido bastante
frequentado pelo Eduardo, pequeno e simpático, cujo prédio também abrigava um
café oriental, chamado Algiers.
Ele me contou que, além de café, chá e pequenos lanches, o
local costumava oferecer narguillé. Um lugar perfeito, tanto para encontros
amorosos da garotada, quanto para trabalhos de faculdade dos estudantes que
povoavam as inúmeras universidades de Boston e seus arredores, como Brandeis e
a própria Harvard. Havia, inclusive, duas pessoas, em mesas separadas, com seus
laptops, parecendo fazer algumas pesquisas. Deu uma invejinha branca...
Tomamos um café e um chá e, saindo dali, o Eduardo não se cansava de andar pelas ruas,
relembrando histórias e momentos do passado juvenil. No entanto, começou a
chuviscar um pouco e ainda tínhamos de arrumar as malas, pois no dia seguinte
iríamos deixar Boston, rumo a Martha´s Vineyard, nosso próximo destino.
Pegamos um táxi perto do metrô e, em 15 minutos, já chegávamos
novamente a Boston e ao Eliot.
Amanhã, tem Martha´s Vineyard!

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