quinta-feira, 24 de julho de 2014

7 de julho: Mais de Boston e arredores com Museu de Belas Artes, Emerald Necklace e Cambridge

A programação daquela manhã era fazer uma visita ao escritório de Martha e Taka, em Downtown, mas tamanha era a alergia (minha) e a preguiça (nossa), que só fomos sair do hotel quase 11 horas da manhã.

Refizemos o início do percurso do dia anterior, seguindo mais uma vez pela Commonwealth Av.,...



...entrando no Public Garden...



 e saindo dele por uma das laterais. Procuramos uma franquia de pâtisserie para o café da manhã e escolhemos a Au Bon Pain bem debaixo do prédio onde ficava o escritório.

Comi um croissant de queijo doce com caramelo macchiatto e o Eduardo sua querida combinação de pão de chocolate e expresso. Quando saíamos do café, uma figura jovial e risonha interrompia propositadamente nosso caminho. Era Taka, que nos reconheceu e veio brincar conosco.

Subimos com ele para o escritório e, lá chegando, Martha nos mostrou as fotografias emolduradas que ladeavam as duas salas, mais a antessala, compondo o local de trabalho dividido por ela e Taka. Eram todas de artistas representados por Martha, das mais diversas nacionalidades, entre elas japonesa e brasileira.

Já era quase meio dia e meia quando terminamos de conhecer todas as obras que o escritório abrigava e descemos com nossos amigos para que eles almoçassem. Na passagem pela portaria, Martha fez nova apresentação do Eduardo para as pessoas que trabalhavam no local, que achavam uma graça afetuosa do tratamento dado por ela ao homem barbado de quase dois metros de altura, “Ele é meu bebê! Eu o conheço desde que era um bebezinho!!!”.

Como eu e Eduardo tínhamos tomado café fazia pouco tempo, apenas acompanhamos os dois, que não cansavam de nos apresentar, inclusive aos funcionários do fast food que escoheram para almoçar, cujo dono era brasileiro. Foi bacana constatar como ambos eram queridos por todos aqueles com quem falavam.

Ficamos nesse espaço, que era uma galeria comercial muito ampla, com paredes de vidro e alguns jardins internos, onde pássaros cismavam de entrar, vez ou outra, pela pequena porta, achando que por ter árvores, seria lugar pra eles. Tentei ajudar um a sair, mas ele se espantava toda vez que chegava perto da porta, voando pra todos os lados, menos o que eu queria. Quando vi que tinha uma porção de outros na parte de dentro, relaxei e desisti.

Terminado o almoço de nossos amigos, seguimos nosso roteiro para o fim do dia, que incluía uma visita ao Museu de Belas Artes de Boston, passeio pelos parques do Emerald Necklace e visita à cidade de Cambridge. Despedimo-nos dos nossos amigos e voltamos em direção à Newbury Street, onde almoçamos num restaurante japonês.

Aproveitei a raríssima ocasião em que estava com pouca fome para comer uma salada de algas super saborosa e o Eduardo alguns sushis. 



Ficamos na parte de dentro do restaurante, onde havia uma ilustração interessante em um grande quadro negro.


Acompanhado da minha filosofia gastronômica...


Decidimos ir para o Museu de metrô e, no caminho, passamos pela Trinity Church, cujo interessante estilo eclético eu ainda não tinha registrado, bem na frente do moderno edifício Hancock.


O metrô de Boston é um dos mais antigos dos Estados Unidos e aquele que precisávamos pegar tinha parte do trajeto na superfície, na chamada Green Line.



Em cerca de 10 minutos, estávamos no Museu de Belas Artes...


E encontrando aquele que parecia ser a escultura de uma outra encarnação do Eduardo no mundo antigo.




O museu, que está no rol dos mais importantes do mundo, contava com uma bela coleção de esculturas greco-romanas e também egípcias.




Mas nos detivemos mais nas pinturas, em especial, as naturezas-mortas do Chardin que meu marido tanto ama. Pena que o enquadramento feito nesta foto não honrou a beleza das obras.



Esta, em particular, foi vista por ele muitas vezes, com muito tempo de apreciação, durante o período em que cursou Artes, em Brandeis.


Algumas obras que vimos foram curiosas, como esta expressão de bufão do sujeito do busto abaixo.


E também este busto do Mirabeau, sobre cujo caráter desafiador e inteligente eu conheci um pouco no livro que tinha acabado de ler e adorar, logo antes da Lua de Mel; a biografia de Maria Antonieta escrita por Stefan Zweig. Tanto essas características psicológicas, quanto a pele marcada pela varíola, me pareceram bem retratadas na escultura desse personagem histórico.

  
Chegamos na área dos Impressionistas, onde pude conferir uma pintura lindíssima do meu querido Degas, desconhecida pra mim e pela qual quem me apaixonei absolutamente.


E mais inúmeras pinturas maravilhosas, além de esculturas dele, Degas, e do Rodin...












Saímos com o Museu fechando, pois era segunda-feira e o encerramento do período de visitação era às 16:30. Ainda tinha muito tempo de dia claro e aproveitamos um pouco da vista no entorno do edifício.


Fomos, então, em direção aos parques que, um após o outro, formam o que é chamado de Emerald Necklace de Boston. Só conseguimos caminhar pelo Fenway Park, mas deu pra imaginar como aquele maravilhoso conjunto verde deveria ser lindo, propagando-se ao longo de 11km. Gostaria que tivéssemos tido tempo de percorrer esse colar de esmeralda inteiro a pé ou de bicicleta.









Decidimos voltar ao hotel antes da última aventura do dia, que seria a visita à cidade de Cambridge, onde fica a famosa Harvard University e fomos andando. Como o almoço havia sido frugal, demos uma paradinha estratégica no Sonsie´s, que ficava na Newbury Street, para uma pizza com chopp. Esse restaurante é curioso porque na parte mais próxima à varanda, durante o dia, todas as mesas e cadeiras ficam viradas para a rua, como um café parisiense, pra que os fregueses possam “ver as modas”.

Depois de passados aqueles dias, escrevendo no blog, refleti como esse deve ser um comportamento exclusivo do verão e, no máximo, da primavera, quando locais que podem ser tão frios, como Boston no inverno, tentam sorver ao máximo as cores, humores e ares dos dias mais quentes do ano.





Terminado nosso lanchinho "complementar" do almoço, pegamos novamente o metrô, agora na direção de Cambridge, cuja proximidade de Boston e ambiente de universitários também havia sido um grande atrativo para o outrora bem jovem Eduardo, nos idos dos anos 90 e, por isso, também trazia diversas memórias afetivas.

Mais uma vez, o fato de estarmos em plenas férias de verão esvaziava a tão famosa Harvard. Neste caso, no entanto, não era necessário buscar tanto na imaginação cenas daqueles prédios e campus populados, uma vez que tantos filmes tiveram aquele lugar como cenário. Bastava recorrer na memória a uma cena, por exemplo, de A Rede Social.







 (esta ficou horrorosamente tremida, mas achei que valia o registro, ou não...)





Além de nós, algumas poucas pessoas transitavam pelos gramados, além de uma excursão oriental que também aproveitava aquele início de noite pra conhecer as instalações da universidade famosa. O único lugar que ainda se mostrava com um grupo maior de pessoas era uma de suas inúmeras bibliotecas.


Fomos até o cinema da escola de artes visuais, que o Eduardo muito frequentou durante o período em que estudou em Brandeis. Devido às férias, não havia nada em cartaz, mas o prédio estava aceso, guardado por um vigia, aberto e possível de ser visitado. Demos “boa noite” ao guarda e ficamos curtindo os inúmeros posteres que divulgavam os filmes do acervo da faculdade, que costumam ser apresentados durante a temporada de aulas.






O Eduardo me explicou como era diversificada a programação, que normalmente tinha algum gancho temático, como, constatamos ter sido o festival de Resnais. Ele havia passado pouco antes das férias de verão, conforme era divulgado em um dos muitos murais do cinema.







Andamos mais um pouco pela cidade que, não só por abrigar Harvard e mesmo estando claramente desfalcada de seus milhares de estudantes em férias, parecia bastante simpática. Conseguimos ver alguns dormitórios estudantis, cujos quartos podia-se identificar a partir de camas beliches e luminárias funcionais que se vislumbrava pelas janelas. 

Como já passava de 21h, a maioria dos restaurantes que o Eduardo costumava frequentar já estava fechada, apenas atendendo os clientes que já estavam lá dentro, como o Bartley´s e um tailandês. Ele garantiu que, em último caso, teríamos a pizza do Pinnochio, onde ele mesmo havia matado sua fome na madrugada, por várias vezes e bem baratinho. Como já tínhamos comido pizza naquele dia, continuamos buscando outra opção.


Por acaso, vimos uma lanchonete que havia sido indicada pelo Taka como tendo excelentes hambúrgures, a Shake Shak, que ainda estava servindo. Não fomos de pizza, mas de hambúrguer! E, de fato, estava uma delícia!

Continuamos nosso tour e resolvemos entrar no Pinocchio, deixando o Eduardo surpreso com o fato de estar quase igual aos anos 90. Cardápio na parede, com pizzas cortadas vendidas inteiras e por fatia. Um refrigerador trazia algumas bebidas, todas sem álcool. As paredes eram ilustradas por um painel pintado com uma cena da história do Pinnochio e algumas fotos de clientes especiais. Eram estudantes famosos de Harvard, como Mark Zuckerberg. Esse destaque ilustre, sem dúvida, era uma novidade do século XXI no Pinnochio.


Diante de tantas semelhanças, não pudemos deixar de provar a pizza, baratíssima e saborosa acima do preço.


Fomos em direção a um cinema que também havia sido bastante frequentado pelo Eduardo, pequeno e simpático, cujo prédio também abrigava um café oriental, chamado Algiers.




Ele me contou que, além de café, chá e pequenos lanches, o local costumava oferecer narguillé. Um lugar perfeito, tanto para encontros amorosos da garotada, quanto para trabalhos de faculdade dos estudantes que povoavam as inúmeras universidades de Boston e seus arredores, como Brandeis e a própria Harvard. Havia, inclusive, duas pessoas, em mesas separadas, com seus laptops, parecendo fazer algumas pesquisas. Deu uma invejinha branca...

Tomamos um café e um chá e, saindo dali, o Eduardo não se cansava de andar pelas ruas, relembrando histórias e momentos do passado juvenil. No entanto, começou a chuviscar um pouco e ainda tínhamos de arrumar as malas, pois no dia seguinte iríamos deixar Boston, rumo a Martha´s Vineyard, nosso próximo destino.

Pegamos um táxi perto do metrô e, em 15 minutos, já chegávamos novamente a Boston e ao Eliot.

Amanhã, tem Martha´s Vineyard!


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